Coworking e escritório virtual para advogados: quando faz sentido para um escritório de advocacia?

Coworking e escritório virtual para advogados: quando faz sentido para um escritório de advocacia?

Durante muito tempo, ter um escritório de advocacia significava necessariamente assumir uma estrutura física própria. Aluguel, condomínio, recepção, internet, mobiliário, sala de reunião, limpeza e uma série de outros custos faziam parte do pacote antes mesmo de o primeiro cliente entrar pela porta.

Só que a forma de trabalhar mudou.

Hoje, reuniões podem acontecer por videoconferência, documentos são assinados digitalmente, processos são eletrônicos e boa parte da operação de um escritório pode funcionar de qualquer lugar. Para muitos advogados, principalmente aqueles que estão começando ou que trabalham com estruturas mais enxutas, manter um imóvel próprio deixou de ser uma necessidade operacional.

Isso não significa, porém, que o espaço físico perdeu completamente a importância.

Um potencial cliente pode preferir uma reunião presencial. Uma negociação mais sensível pode exigir privacidade. O advogado pode precisar reunir a equipe ou simplesmente querer separar a rotina profissional da vida doméstica.

É justamente nesse espaço entre não precisar manter um escritório tradicional todos os dias e ainda precisar de uma estrutura profissional em determinados momentos que coworkings e escritórios virtuais começam a fazer bastante sentido para a advocacia.

Primeiro, coworking e escritório virtual não são a mesma coisa

Embora os dois serviços normalmente sejam oferecidos pelas mesmas empresas, eles resolvem problemas diferentes.

O coworking oferece uma estrutura física compartilhada. Dependendo do plano contratado, o profissional pode utilizar estações de trabalho, salas privativas, salas de reunião, recepção e outros recursos sem precisar assumir sozinho os custos de uma sede tradicional.

O escritório virtual segue outra lógica. O advogado pode continuar trabalhando de casa ou remotamente, mas contratar serviços como endereço fiscal, endereço comercial, gestão de correspondências e atendimento telefônico.

Na Focus Coworking, por exemplo, existem desde planos de escritório virtual com endereço fiscal e gestão de correspondências até modalidades com endereço comercial e atendimento telefônico personalizado. Para quem precisa efetivamente utilizar a estrutura física, há também estações de trabalho, salas de reunião e escritórios privativos.


A escolha, portanto, não deveria começar pela pergunta “quanto custa uma sala?”, mas por outra: qual estrutura o meu escritório realmente precisa para funcionar bem e atender bem?

1. Uma estrutura física própria nem sempre é o melhor uso do dinheiro do escritório

Imagine um advogado que atende presencialmente quatro ou cinco vezes por mês.

Faz sentido manter uma recepção, uma sala de reunião e uma estrutura completa durante aproximadamente 30 dias para utilizar tudo isso poucas horas por mês?

Em alguns casos, sim. Em muitos outros, provavelmente não.

É aqui que entra uma das maiores vantagens do coworking: transformar parte dos custos fixos de estrutura em custos mais flexíveis.

Em vez de assumir sozinho aluguel, mobiliário, internet, manutenção, limpeza, recepção e sala de reunião, o profissional passa a compartilhar essa infraestrutura ou contratar somente aquilo de que realmente necessita.

Para um escritório em crescimento, essa diferença pode ser relevante porque preserva recursos para áreas que possuem impacto mais direto na expansão do negócio, como tecnologia, contratação de pessoas, marketing jurídico, estruturação comercial e melhoria do atendimento.

Não se trata simplesmente de “economizar no aluguel”. Trata-se de pensar em alocação de capital.

2. Trabalhar remotamente não significa atender o cliente de qualquer maneira

Existe outro lado dessa discussão.

O advogado pode não precisar de um escritório todos os dias, mas isso não significa que uma mesa de cafeteria seja adequada para todas as reuniões.

Dependendo da natureza da conversa, privacidade, conforto e concentração são indispensáveis. Uma reunião para discutir patrimônio, um conflito societário, uma questão familiar ou uma situação trabalhista sensível exige um ambiente compatível com a confidencialidade da relação advogado-cliente.

É justamente aqui que o modelo híbrido ganha força.

O profissional pode trabalhar remotamente durante boa parte da semana e utilizar uma sala profissional quando realmente precisar receber alguém.

A Focus, por exemplo, disponibiliza salas de reunião e escritórios privativos, além de recepção e estrutura para receber clientes.

Na prática, o advogado deixa de pagar por metros quadrados ociosos e passa a pagar pelo acesso à estrutura de que precisa.

3. A primeira impressão também faz parte da experiência do cliente

Na LegalSelling, defendemos que a experiência do cliente começa muito antes da execução do serviço jurídico.

Ela começa no primeiro contato.

Pense na diferença entre chegar para uma reunião e encontrar um ambiente improvisado e chegar a um espaço organizado, ser recebido adequadamente e conversar com o advogado em uma sala reservada.

Isso não torna ninguém tecnicamente mais competente.

Mas influencia a percepção de organização, cuidado e profissionalismo.

Esse ponto precisa ser tratado com cautela na advocacia. O Provimento nº 205/2021 da OAB determina que a publicidade profissional seja informativa, discreta e sóbria e proíbe, na publicidade ativa, informações relacionadas às dimensões, qualidades ou estrutura física do escritório. Portanto, estrutura profissional pode melhorar a experiência do cliente, mas não deve ser transformada em ostentação ou argumento publicitário de captação.

É uma diferença importante.

O objetivo de uma boa estrutura não é impressionar o cliente artificialmente. É fazer com que a experiência seja coerente com a qualidade e a organização que o escritório pretende entregar.

4. O escritório virtual pode profissionalizar os bastidores da operação

Nem todos os benefícios estão naquilo que o cliente vê.

Um escritório virtual pode resolver pequenas atividades administrativas que, somadas, consomem tempo do advogado.

Recebimento e gestão de correspondências são exemplos simples. Atendimento telefônico é outro.

A Focus oferece planos que incluem gestão de correspondência e, em determinadas modalidades, atendimento telefônico personalizado, no qual uma central atende pelo nome da empresa, direciona chamadas ou transmite os recados ao profissional.

Para um advogado que trabalha sozinho ou possui uma equipe pequena, isso pode ajudar a criar uma separação mais clara entre o telefone pessoal e a operação profissional.

E existe um benefício menos óbvio aqui: tempo.

Cada atividade administrativa que pode ser organizada por um processo adequado representa tempo que o advogado pode dedicar ao trabalho técnico, ao relacionamento com clientes ou ao desenvolvimento do escritório.

5. Existe também uma questão de privacidade

Usar a própria residência como endereço profissional pode ser conveniente, mas significa misturar duas dimensões que nem todo advogado deseja misturar.

O endereço residencial pode acabar aparecendo em cadastros, documentos e outros pontos de contato do negócio.

Para determinadas áreas da advocacia, essa exposição merece ainda mais atenção.

Um endereço comercial ou fiscal pode ajudar a criar uma separação entre a residência do profissional e a estrutura administrativa do escritório, desde que sua utilização esteja de acordo com as exigências cadastrais, fiscais e profissionais aplicáveis ao caso concreto.

Nesse sentido, o escritório virtual não serve apenas para transmitir uma imagem profissional. Ele pode ser uma ferramenta de organização da própria operação.

6. Coworking também pode fortalecer a presença local do escritório no Google

Outro benefício importante para advogados que utilizam coworking é a possibilidade de estruturar uma presença local mais profissional no ambiente digital.

O endereço do coworking pode ser utilizado pelo escritório para estruturar sua presença no Google Negócios, desde que exista uma estrutura que individualize efetivamente aquela empresa no local, como uma sala própria ou identificação correspondente ao escritório. Em muitos coworkings brasileiros, por exemplo, cada empresa possui seu número de sala, mesmo compartilhando o mesmo endereço principal.

Isso pode ser especialmente interessante para advogados que trabalham de forma remota, mas desejam desenvolver uma estratégia de posicionamento local.

Imagine um advogado que atende clientes em Maceió, mas trabalha predominantemente de casa. Ao utilizar uma estrutura de coworking adequada, ele pode ter um endereço profissional para o escritório e trabalhar sua presença nas buscas realizadas por potenciais clientes naquela região.

E isso tem impacto direto no marketing jurídico local.

Quando alguém pesquisa no Google termos como “advogado empresarial em Maceió”, “escritório de advocacia em Maceió” ou uma especialidade jurídica acompanhada do nome da cidade, o Perfil da Empresa no Google pode ocupar uma posição importante na jornada de descoberta daquele profissional.

Por isso, o endereço do coworking não deve ser analisado apenas como uma solução administrativa. Dependendo da estrutura contratada, ele também pode integrar a estratégia de presença digital e posicionamento geográfico do escritório.

Naturalmente, essa utilização deve ser feita respeitando tanto as regras vigentes da plataforma quanto as normas de publicidade da OAB. O objetivo não é simplesmente cadastrar um endereço para tentar manipular resultados de busca, mas construir uma presença local legítima e coerente com a operação real do escritório.

Para escritórios que desejam crescer em determinada cidade ou região sem assumir imediatamente os custos de uma sede tradicional, essa combinação entre estrutura física flexível e presença digital local pode ser uma vantagem relevante.

7. A OAB permite que advogados trabalhem em coworkings

Também existe uma dúvida recorrente entre advogados sobre a possibilidade ética de exercer a profissão em espaços compartilhados.

O Provimento nº 205/2021 do Conselho Federal da OAB trata expressamente do assunto.

O artigo 8º estabelece que o exercício da advocacia em coworking não caracteriza infração ético-disciplinar. A norma permite inclusive informar que a atividade profissional é desenvolvida em local de coworking e possibilita a afixação de placa indicativa no espaço físico em que a advocacia é exercida.

Existe, entretanto, uma restrição fundamental: a advocacia não pode ser divulgada conjuntamente com outras atividades ou empresas que compartilhem aquele espaço.

Isso significa que compartilhar a estrutura é permitido. Misturar a publicidade do escritório com a publicidade de outras empresas instaladas no coworking, não.

Para o advogado, essa distinção precisa estar clara desde o início.

8. Coworking também pode significar acesso a uma rede de relacionamentos

Há ainda um benefício difícil de colocar em uma planilha: relacionamento.

Quem trabalha exclusivamente de casa tende a conviver com um círculo profissional mais limitado. Um coworking reúne empresários, consultores e profissionais de diferentes segmentos em um mesmo ambiente.

Isso não significa que simplesmente alugar uma estação de trabalho produzirá novos clientes.

Networking não funciona dessa maneira.

Mas a convivência recorrente aumenta as oportunidades de criar relacionamentos profissionais, trocar conhecimento e desenvolver parcerias ao longo do tempo.

A própria Focus coloca networking e crescimento entre os componentes de sua proposta de coworking.

Para a advocacia, evidentemente, essas relações precisam respeitar as regras éticas da profissão e jamais podem ser transformadas em mecanismos de captação indevida de clientela. O Provimento nº 205/2021 permite o marketing jurídico, mas mantém expressamente as vedações à mercantilização e à captação de clientes.

Coworking ou escritório virtual: qual escolher?

Não existe uma resposta única.

Um advogado que trabalha de casa e precisa apenas separar o endereço residencial do profissional e organizar correspondências pode encontrar no escritório virtual uma solução suficiente.

Quem recebe clientes algumas vezes por mês pode combinar uma estrutura virtual com o uso eventual de salas de reunião.

Já um escritório que possui uma pequena equipe e precisa trabalhar presencialmente com frequência pode encontrar mais sentido em uma estação fixa ou em um escritório privativo dentro do coworking.

A decisão deveria considerar pelo menos cinco fatores:

  • frequência de reuniões presenciais;
  • quantidade de pessoas na equipe;
  • necessidade de endereço fiscal e comercial;
  • necessidade de recepção, telefone e gestão de correspondências;
  • custo total de manter uma estrutura própria comparado ao uso efetivo que o escritório faz dela.

O mais importante é não copiar automaticamente o modelo tradicional.

Seu escritório precisa de estrutura. Não necessariamente de um escritório tradicional.

Essa talvez seja a principal conclusão.

Um escritório de advocacia precisa transmitir organização, proteger a confidencialidade, receber clientes adequadamente quando necessário e oferecer à equipe condições para trabalhar bem.

Nada disso significa necessariamente assumir um contrato de locação tradicional e montar uma sede completa.

Da mesma forma, trabalhar remotamente não significa que toda estrutura física se tornou desnecessária.

Entre esses dois extremos existe um modelo mais flexível.

Coworkings e escritórios virtuais permitem que advogados tenham acesso a endereço profissional, espaços para reuniões, estações de trabalho, recepção e serviços administrativos de acordo com a necessidade real da operação.

Para quem está começando, isso pode reduzir a barreira de entrada. Para quem já possui um escritório, pode representar uma maneira de tornar a estrutura mais eficiente. E para quem trabalha remotamente, pode ser uma forma de preservar flexibilidade sem abrir mão de uma presença profissional quando ela for necessária.

É exatamente nesse ponto que a parceria entre a LegalSelling e a Focus Coworking e Escritório Virtual faz sentido: de um lado, estratégia, marketing jurídico, processos comerciais, vendas e atendimento para escritórios de advocacia; do outro, uma estrutura flexível para profissionais que precisam organizar a presença física e administrativa do negócio.

Porque crescer um escritório não significa necessariamente aumentar seus custos fixos.

Significa construir uma estrutura compatível com o estágio, a estratégia e as necessidades reais do negócio.

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